3 de agosto de 2016
 
Impacto do Museu de Congonhas no desenvolvimento local será avaliado

Primeira reunião de trabalho para definição da metodologia acontece durante esta semana.

 

Qual é o impacto do primeiro museu de sítio do Patrimônio Mundial no Brasil na vida da cidade em que ele foi construído? E qual seria o impacto de se ter um título de Patrimônio Mundial por si só? Para responder a essas perguntas será elaborada uma metodologia de monitoramento do impacto do Museu de Congonhas – museu do sítio do Patrimônio Mundial do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos – no desenvolvimento local, no curto, médio e longo prazo. Ela considerará os aspectos econômico, social, cultural e ambiental e deve servir como um instrumento a ser utilizado nos demais sítios do Patrimônio Mundial no Brasil.
 

Para iniciar a elaboração da metodologia, a UNESCO no Brasil, a Prefeitura de Congonhas, a Fundação Municipal de Cultura (FUMCULT), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), além de três consultores contratados para o projeto, se reúnem na cidade de 03 a 06/08/2016.
 

Com a recente inserção da Pampulha na Lista do Patrimônio Mundial, o Brasil possui hoje
20 sítios inscritos, sendo 13 sítios culturais e sete naturais. Estar na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade representa um dos maiores reconhecimentos da Cultura no mundo, e a ideia é que a nova metodologia seja um piloto de indicadores que possam ser adotados para todos os demais sítios culturais do país.
 

A cultura é base indispensável para o desenvolvimento sustentável. Esse assunto vem sendo discutido pela UNESCO desde 1982, quando aconteceu, no México, a Conferência Mundial sobre Políticas Culturais (MONDIACULT). Mais recentemente, com a aprovação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, em 2005, a Organização reforçou o papel abrangente da cultura nos processos de desenvolvimento, ao destacar a dupla determinação dos bens culturais: a simbólica e a econômica. No Brasil, de forma geral esse potencial da cultura é reconhecido, no entanto, pouco se fez para avaliar o seu verdadeiro valor.
 

“A UNESCO defende o poder transformador da cultura como promotor e facilitador do desenvolvimento sustentável. Isso já foi avaliado em âmbitos nacionais em alguns países por meio da aplicação de uma metodologia proposta na publicação UNESCO Culture for Development Indicators, lançada em 2014”, afirma a coordenadora de Cultura da UNESCO no Brasil, Patrícia Reis. “Mas o projeto a ser desenvolvido a partir do Museu de Congonhas se torna inovador, pois não há registro de desenvolvimento de indicadores customizados para mensurar o impacto em um sítio específico do Patrimônio Mundial no Brasil”, complementa.
 

A ideia é que o monitoramento seja contínuo e avalie o impacto socioeconômico e cultural da instalação desde a inauguração do Museu de Congonhas, em dezembro de 2015, por meio de dados como aumento do afluxo turístico, melhorias na infraestrutura urbana e turística, percepção e avaliação dos turistas, marketing, eventos, dentre outras. Um dos resultados esperados é a mensuração de como o Museu de Congonhas se torna uma alternativa para Congonhas para além da vocação natural de cidade mineradora, e cria opções de atividades econômicas promovendo o turismo e o comércio local.
 

“Ter ferramentas especialmente desenhadas para o Museu de Congonhas permitirá oferecer um retrato fiel à realidade e apontar caminhos e soluções rumo ao despertar de uma economia criativa no município, capaz de mudar o rumo de seu processo de desenvolvimento”, afirma Sérgio Rodrigo Reis, presidente da FUMCULT.
(Fonte: UNESCO no Brasil)