04  de novembro de 2016
 

Cidade  de Congonhas recebe artistas mineiros para gravação de novo CD

 

Cantora Titane e pianista Túlio Mourão estão na cidade dos profetas para a gravação do novo álbum “Paixão e Fé”, que propõe um diálogo com a cultura popular e questiona de forma sensível o período de contradições vivido no país. 

 

Novo trabalho está sendo gravado no Espaço Cultural da Romaria e resultado será apresentado ao público de Congonhas em janeiro de 2017

 

Artistas de carreiras consolidadas e significativo acervo de prestígio e reconhecimento, os mineiros Titane e Túlio Mourão escolheram a cidade de Congonhas para a gravação de um novo trabalho, o álbum “Paixão e Fé”. Sintonizados com o delicado momento que o país atravessa, os artistas encontraram na cidade, povoada pela rica arte barroca e vítima da atuação implacável da mineração, o ambiente ideal para o objetivo central da parceria: derramar poesias sobre um quadro de incertezas, antagonismo e fragmentação. O projeto é uma parceria dos artistas com o Museu de Congonhas por meio da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult). 

 

A gravação do novo disco acontecerá nos dias 5 e 6 de novembro, e será feita em uma das salas da Romaria de Congonhas que foi adaptada como estúdio musical. A equipe – artistas, técnicos e produtores – foi deslocada para Congonhas e criou base de operações nas proximidades do Museu de Congonhas, experimentando concentrada vivência e foco na arte e história da região. A previsão é que o novo álbum seja lançado em show em Congonhas, em janeiro de 2017.

 

O novo trabalho “Paixão e Fé” aposta na dimensão crítica e reflexiva da arte para trazer indagação e sensibilização com foco na inquietante dicotomia que une fragilidade e violência em inaceitável continuidade na história do país. De um lado comunidades carentes, gente humilde, mas detentora de precioso tesouro humanista em forma de cultura singular, espontânea, local - tão única quanto frágil.

 

De outro o imediatismo cego, o vício corporativista, e a inércia conservadora impedindo que a questão humana tenha mais espaço e peso na formulação da equação econômica – esta desafiada a conciliar interesses e dimensões conflitantes e tantas vezes distante do histórico e elementar compromisso com o bem social.

 

No novo álbum, estão algumas canções geradas nessas regiões de Minas, outras de artistas que tem diálogo e reflexão sobre essas culturas – canções que exibem seu genuíno encanto e ainda outras que exalam pura perplexidade.

 

O formato voz e piano se configura sob medida para o espírito da proposta. Para ecoar a fragilidade, os músicos se despem de excessos e buscam máxima transparência para o sentimento e emoção que, mais do que nunca, os une na certeza de que a dimensão poética é revelação de sentido para a vida.

 

O CD será gravado numa sala que compõe a Romaria de Congonhas, com condições acústicas para um resultado diferente da assepsia sonora do estúdio convencional. A ideia é se integrar a um contexto fortemente motivacional, que tem como base o novo Museu de Congonhas e se estende e se integra ao belo conjunto devocional em torno de Bom Jesus de Matosinhos, que inclui o adro dos profetas, a matriz, a sala de ex-votos, as capelas com passos da paixão e a romaria. Completando o time, está o fotógrafo Eustáquio Neves, que ficará responsável pelas imagens e criação da capa. O artista também estará na cidade histórica em busca de imagens para o trabalho.

 

Sobre Titane

Intérprete por excelência, Titane faz parte da geração que renovou a MPB nos anos 80. Em seu repertório comungam, em estado sempre híbrido, músicos da nova geração de Minas, clássicos da MPB, temas instrumentais, canções tradicionais e influências do congado mineiro, manifestação artístico-religiosa de raízes afro-brasileiras. 

 

Sobre Túlio Mourão

A música instrumental de Túlio Mourão se apoia numa consistente construção melódica. O exercício e a vivência como premiado autor de trilhas sonoras lhe permite criar temas que estão muito longe de meros pretextos para improvisação. Túlio busca um perfil pessoal e original dentro da música instrumental brasileira, metabolizando elementos que vão da música erudita aos cânticos religiosos da tradição sacra e popular de Minas Gerais. O pianista exercita um perfil mais brasileiro e rítmico através de uma estimulante dinâmica entre a mão esquerda e direita, resultando numa síntese batizada de jazzmineiro.

Confira as fotos: http://www.museudecongonhas.org.br/imagens


(Fonte: Árvore Comunicação)