Museu de Congonhas recebe a exposição “Patrimônios da Humanidade no Brasil”

Mostra destaca o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas e apresenta os demais sítios brasileiros considerados Patrimônio da Humanidade

O Museu de Congonhas inaugura a exposição “Patrimônios da Humanidade no Brasil” que traz documentos, fotos, informações sobre os 26 sítios Patrimônios Mundiais Brasileiros - os culturais (14), os naturais (sete) e os imateriais (cinco). A exposição foi idealizada pelo IPHAN em parceria com UNESCO e viabilizada com recursos da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas (FUMCULT), e tem a curadoria do Museu de Congonhas. A mostra será aberta no dia 30 de janeiro e poderá ser vista até o dia 31 de março. Após Congonhas, a exposição segue em itinerância, inicialmente por Ouro Preto, primeiro município do País a conquistar o título da UNESCO.

A exposição é importante para Congonhas por estabelecer um processo educativo na comunidade, de reconhecimento da relevância do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, destacando seu mérito e os motivos que o fizeram reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial, em 1985. De acordo com Sérgio Rodrigo Reis, presidente da FUMCULT e diretor do Museu de Congonhas, essa reflexão atua para formação e sensibilização na comunidade de agentes engajados na proteção do patrimônio material e imaterial local. Esta versão da exposição destaca Congonhas. Na sequência, a mostra será acrescida de informações explicitando as peculiaridades de Ouro Preto, município vizinho, do qual Congonhas estabelece uma parceria em trocas técnico-artísticas. A itinerância será mais uma ação neste sentido.

"A exposição “Patrimônios da Humanidade no Brasil” foi pensada para refletir sobre a relevância do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas para história da arte universal. Mais do que uma mostra de artes visuais, a iniciativa busca consolidar uma importante política pública de valorização e educação patrimonial dos acervos materiais e imateriais de relevância internacional desta cidade mineira, em diálogo com os demais sítios brasileiros também considerados Patrimônio da Humanidade”, explica Sérgio Rodrigo Reis. 

 

Sítios Patrimônios Mundiais Brasileiros - culturais, naturais e imateriais

As Convenções da Unesco para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural (1972) e para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial (2003) favorecem a cooperação internacional para a proteção do patrimônio, material e imaterial, selecionado pela sua importância para preservação da riqueza e da diversidade cultural de todo o mundo. O Brasil possui 21 inscrições na Lista do Patrimônio Cultural Mundial e Natural. 

São Sítios Patrimônio Cultural: 1980 - A Cidade Histórica de Ouro Preto, Minas Gerais; 1982 - O Centro Histórico de Olinda, Pernambuco ; 1983 - As Missões Jesuíticas Guarani, Ruínas de São Miguel das Missões, Rio Grande de Sul e Argentina; 1985 - O Centro Histórico de Salvador, Bahia ; 1985 - O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais ; 1987 - O Plano Piloto de Brasília, Distrito Federal ; 1991 - O Parque Nacional Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, Piauí; 1997 - O Centro Histórico de São Luís do Maranhão; 1999 - Centro Histórico da Cidade de Diamantina, Minas Gerais; 2001 - Centro Histórico da Cidade de Goiás; 2010 - Praça de São Francisco, na cidade de São Cristóvão, Sergipe; 2012 - Rio de Janeiro, paisagens cariocas entre a montanha e o mar; 2016 - Conjunto Moderno da Pampulha; e 2017 - Sítio Arqueológico Cais do Valongo.

São Sítios do Patrimônio Natural: 1986 - Parque Nacional de Iguaçu, em Foz do Iguaçu, Paraná e Argentina; 1999 - Mata Atlântica - Reservas do Sudeste, São Paulo e Paraná; 1999 - Costa do Descobrimento - Reservas da Mata Atlântica, Bahia e Espírito Santo; 2000 - Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central; 2000 - Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; 2001 - Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, Goiás; e 2001 - Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

São cinco as manifestações de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade no Brasil: Roda de capoeira, Frevo, Samba de Roda, Círio de Nazaré (PA) e Arte Kusiwa, do Amapá.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, são responsáveis pela preservação desse patrimônio, em cooperação com estados, municípios e a comunidade. Essas instituições se empenham por uma abordagem integrada entre patrimônio material e imaterial, buscando a apropriação social dos benefícios da preservação e uma agenda orientada para a promoção do desenvolvimento sustentável.

De Congonhas para o Mundo

O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas conquistou o título “Patrimônio Cultural Mundial” graças ao esforço coletivo de especialistas, autoridades e comunidade. Em 1985, em Paris, durante a sessão anual na sede da UNESCO, a “Cidade dos Profetas” ganhou o reconhecimento universal após demonstrar a relevância do seu patrimônio como representante de uma realização artística única, verdadeira obra-prima do espírito criador do homem; e por estar associado a crenças e eventos de considerável significado. A defesa da relevância do Santuário de Congonhas no dossiê de candidatura salientava as singularidades do patrimônio informando se tratar de um dos últimos exemplares da série dos “Sacro Monte” da arte cristã ocidental, apresentando, algumas características específicas que o colocam como uma espécie de ”ponto culminante“ da tradição. Do ponto de vista iconográfico, é o único que apresenta a justaposição das profecias bíblicas e do drama da Redenção, segundo a linha tradicional de interpretação teológica em busca de harmonias e concordâncias entre o Antigo e o Novo Testamento, abundantemente ilustrado nas catedrais medievais. 

Em relação à organização espacial, é também o único no qual os conjuntos arquitetônico e escultural equilibram-se mutuamente por terem valor equivalente; o que nada tem de surpreendente, pois seu principal autor, o Aleijadinho, foi ao mesmo tempo, gravador, escultor e arquiteto notável. Finalmente, considerando a qualidade artística das estátuas analisadas individualmente, os profetas de Congonhas foram julgados por especialistas como estando entre as melhores representações esculturais de personagens do Antigo Testamento da história da arte ocidental, comparáveis aos profetas de Klaus Sluter na Cartuxa de Champmol, em Dijon, quiçá ao Moisés de Miguelangelo na igreja de San Pietro em Vincoli.