Exposição Virtual - Pinturas Manuel da Costa Ataíde

Manuel da Costa Ataíde é sem sombra de dúvidas o expoente máximo da pintura colonial mineira e um marco para se pensar nas características da arte pictórica genuinamente brasileira. Nascido em Mariana, filho legítimo do capitão Luiz da Costa Ataíde e Maria Barbosa de Abreu, por influência do pai também seguiu carreira militar alcançando a patente de alferes, sempre conciliada com o fazer artístico. Ao contrário do que o senso comum nos fez acreditar, era branco. Muito religioso e devoto, foi membro de várias irmandades, entre elas as de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas e São Francisco da Penitência em Mariana onde está sepultado. Em grande parte de sua vida teve como companheira Maria do Carmo Raimunda Silva, mãe de seus quatro filhos e, por ser uma preta alforriada, nunca se casaram. 

 

Em sua obra percebemos o Rococó como principal ferramenta de expressão, embora esteja sempre envolta em uma espiritualidade Barroca. Sua paleta de cores é uma importante “inovação” em princípios do XIX e a maneira como representa “seu povo” e sua realidade - como notamos nas feições mestiças de seus anjos - são importantes contribuições para a consolidação de seu estilo e, consequentemente, do que convencionamos chamar de pintura brasileira.

 

Assim como todos os artistas dos séculos XVIII e XIX, não temos registros de sua formação, que provavelmente vem das oficinas e ateliês tão comuns para o período. Como visto em seu testamento, além de pintor Ataíde se auto-intitulava professor e isso mostra outra inovação trazida por este importante personagem. No ano de 1818 Ataíde envia uma carta ao Rei Dom João VI solicitando autorização para fundar uma escola de artes na colônia. Nos chama atenção ainda sua ligação com a música. Além de diversas pinturas com temáticas musicais, em seu inventário consta uma grande coleção de instrumentos.

 

Em Congonhas podemos apreciar a obra de Ataíde visitando as Capelas dos Passos da Paixão. Coube a este artista e sua oficina a encarnação das estátuas e pintura parietal das três primeiras capelas, sendo a primeira parceria entre Aleijadinho e Ataíde e tantas vezes repetidas ao longo do XIX.

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